Você se surpreende consigo?

Você já ficou surpresa com algum sentimento seu ou alguma ação sua? Já tomou uma rasteira de si própria? Há coisas na sua vida que se repetem sem você saber por quê? Penso, logo existo? Para o filósofo Descartes, sim. Mas Freud (o fundador da psicanálise) veio mostrar que tem uma coisa aí que faz toda a diferença nessa existência: o inconsciente. Lembra do Chaves dizendo: “foi sem querer, querendo”? Pois é. A gente fala “ah, eu quero isso” ou “ah, eu acho aquilo”. Mas esse eu não é totalmente senhor de si mesmo, pois um pedaço dele também é inconsciente. E então há algo de nós que pode parecer estranho a nós. Ou podemos fazer algo sem querer e ainda assim querendo. Ou seja, existe uma divisão (que faz o sujeito do inconsciente). Se você já ficou surpresa consigo mesma, ou não entende por que pensa ou faz certas coisas, ou se pergunta como chegou nesse ponto, a psicoterapia de orientação psicanalítica pode ser uma chave para você refletir sobre o que acontece – e poder fazer diferente do que tem sido feito.
Repetição? Ih, já vi esse filme na minha vida.

Você já sentiu uma espécie de déjà vu em situações que se repetem na sua vida? Por exemplo: aquela pessoa que, entra em namoro e sai de namoro, mas parece que namora sempre o mesmo alguém. Ou que sofre com conflitos com colegas de trabalho em todos os empregos. Os exemplos podem ser infinitos. O que há em comum a todos eles é a pessoa estar às voltas com diversas situações similares ao longo da sua vida, mesmo que sejam fonte de sofrimento. É muito frequente a gente se ocupar de coisas que podem acabar se repetindo. E algumas delas podem trazer sofrimento, dúvida ou mal-estar. No trabalho de psicoterapia de orientação psicanalítica, a gente lembra, recorda, rememora, retorna à origem dos nossos sintomas e aos nossos desejos esquecidos. Nós retornamos a tudo isso para poder inventar um outro futuro. Pois enquanto a gente não recorda, a gente repete. E quanto mais a gente experimenta a nossa vida como uma repetição sem sentido (ou até mesmo como repleta de repetições que nos são impostas), mais estamos presas a uma espécie de presente que não passa, que não anda, que nos faz sentir que estamos paradas na vida. E podemos sentir isso devido a dificuldades nesse trabalho de, a partir do presente, ir ao passado e projetar um futuro. Freud, o pai da psicanálise, resumiu esse trabalho em: recordar, repetir e elaborar. Elaborar tem a ver com um trabalho de atravessar a repetição, aquilo que se repete em nossas vidas. Enfim, como a gente reorganiza nossa vida a partir do nosso desejo. E, assim, a partir de um conjunto de inquietações, de insatisfações crônicas, de repetições e de sintomas, podemos reconstruir nossos modos de ler e de interpretar o mundo, os outros e nós mesmos.
Nunca fiz psicoterapia. O que devo saber?

Se você nunca fez uma consulta com uma psicoterapeuta e/ou psicanalista e se pergunta como vai ser, essa é uma dúvida válida. Afinal, ninguém nasce sabendo como tudo funciona. A Psicologia clínica é um campo enorme e existem diferentes linhas de trabalho. Assim, há coisas que podem variar dependendo da linha de trabalho escolhida, e também do estilo de cada psicoterapeuta, uma vez que as pessoas não são iguais. Mas existe uma coisa que você deve esperar de todo mundo que trabalha com isso: o sigilo. Ou seja, a psicoterapeuta que te ouvir deve guardar para si aquilo que ela ouve, já que é preciso preservar a intimidade da pessoa atendida. Com relação à psicoterapia de orientação psicanalítica, o que é pedido a cada pessoa que chega é basicamente o seguinte: fale o que vier à cabeça. E é importante fazer isso sem julgamento. Sem achar que é bobagem ou que não tem importância. Algumas pessoas têm mais dificuldade para falar, outras menos. O fundamental é vir, falar e seguir falando, pois isso tem efeitos. Cada pessoa tem o seu próprio ritmo e isso também é respeitado. E então, aos poucos e ao longo do tempo, podemos recolher os efeitos do trabalho de terapia. Então, trata-se de algo que é simples (e nada simples): venha e fale. É preciso partir daí.
Quem precisa de psicoterapia?

Em tese, todo mundo pode precisar. Na verdade, seria melhor perguntar: quando alguém precisa de psicoterapia? A psicoterapia tem o poder de trazer benefícios quando há uma questão em nossas vidas, isto é, no momento em que a gente se questiona a partir de problemas ou dificuldades. O sofrimento pode ser intenso e/ou crônico, mas não é necessariamente ele que leva alguém a procurar um tratamento. Para além disso, o que leva alguém para a psicoterapia é um não saber sobre a sua própria dor, ou mesmo por que ela está ali. Enfim, uma crise na leitura que a pessoa vinha fazendo sobre o seu mal-estar. Assim, quem precisa de uma psicoterapia de orientação psicanalítica é quem está mais perto de um questionamento sobre si, sua relação com os outros e com o mundo. Desse modo, a terapia não é algo voltado para o tratamento exclusivo de transtornos e síndromes, por exemplo. Ela também pode se dedicar às inquietudes e ao mal-estar relacionados com as diversas formas de existir. Em suma, tem a ver com a inquietação com perguntas do tipo “O que é que eu estou fazendo com a minha vida?” e a construção de respostas possíveis para ela.